O mistério dos colírios contaminados

Dezenas de pessoas, residentes em diferentes estados americanos, apresentaram infecções oculares graves, resistentes a antibióticos, em 2022 e início de 2023 . Ocorreram úlceras de córnea graves e endoftalmites. Alguns pacientes ficaram cegos e foi necessário retirar cirurgicamente o olho de 4 pacientes. Ocorreram também algumas mortes por pneumonia e septicemia.

Os exames para identificar a bactéria responsável pelas infecções identificaram a bactéria Pseudomonas Aeruginosa XDR, com uma tipagem genética rara que a protegia contra os antibióticos usualmente utilizados.

Muitas das infecções graves ocorreram nos olhos. Em alguns pacientes com pneumonia e septicemia graves, identificou-se que a infecção era causada pela mesma bactéria encontrada nos casos de infecção ocular. A investigação realizada em diversos Estados Americanos concluiu que o fato comum aos pacientes acometidos foi o uso de colírios lubrificantes sem conservantes: Artificial Tears da Ezri Care.

A análise do colírios, em frascos de colírios abertos e emfrascos novos identificou a presença da mesma bactéria encontrada nos pacientes. Essa bactéria é relatada na Índia e visita à fábrica onde os colírios foram produzidos, na Índia, indicou condições propensas à contaminação.

O uso de colírios lubrificantes foi considerado responsável pelas infeções graves, casos de cegueira e mortes. Gotas de colírio aplicadas ao olho, mesmo representando uma dose aplicada pequena, apresenta absorção para o sangue, além de seu efeito local. O surto de infecções graves relacionados ao uso de lágrimas artificiais é um alerta para se evitar o uso de colírios quando não houver necessidade.

Infecções graves pelo uso de lágrimas artificiais

O Centro de Controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos (CDC) detectou mais de 80 casos de infeções graves relacionadas ao uso de lágrimas artificiais, pela bactéria Pseudomonas Aeruginosa resistente a antibióticos.

Entre maio/2022 e maio/2023 foram identificadas 4 mortes, 14 casos de perda de visão incluindo 4 casos de retirada do globo ocular, em 18 diferentes Estados americanos.

O CDC identificou que os pacientes se contaminaram pela bactéria Pseudomonas Aeruginosa através do uso do colírio “Artificial Tears – Lubricant Eye drops”, distribuídos por EzriCare e Delsam Pharma e fabricados na India por Global Pharma Healthcare. O colírio, sem preservativos, estava disponível em frascos de 15 ml.

Uma pequena quantidade da gota do colírio aplicada ao olho passa para a cavidade nasal e é parcialmente absorvida para o sangue. Os frascos do colírio lubrificante apresentavam contaminação do seu conteúdo. Ocorreram infecções no olho, pneumonia, além de internações, perda da visão e mortes.

O FDA determinou o recolhimento de todos os frascos do colírio responsável e, por precaução, de pomada oftálmica produzida pelo mesmo laboratório, em fev/2023. Novamente, em out/2023, ampliou a proibição de venda e uso de outros 26 colírios lubrificantes das marcas CVS Health, Cardinal Health, Rite AID, Target Up&Up e Velocity Pharma. Esses colírios eram vendidos, como no Brasil, sem obrigatoriedade de receita médica.

Considera-se que o uso de lágrimas artificiais não apresenta riscos. É usado por hábito ou para olho seco, apesar de não apresentar efeito terapêutico duradouro. A ocorrência do surto de complicações graves relacionado ao uso de lágrimas artificiais sem conservantes, em 2022-2023 nos Estados Unidos, serve de alerta para mostrar que essa medicação, aparentemente segura, pode causar problemas oculares e sistêmicos graves. Obviamente, não deve ser usado se não houver necessidade.

Saiba como o CDC identificou o colírio responsável pelo surto de infeções graves.

Risco do uso excessivo de lágrimas artificiais

Pouco se fala sobre o risco do uso excessivo de lágrimas artificiais. Os colírios lubrificantes podem ser comprados livremente, pois não há exigência de prescrição médica. Existem dezenas de colírios disponíveis nas prateleiras das farmácias. Oftalmologistas também prescrevem, com frequência, lágrimas artificiais para desconforto ocular, olho seco e mesmo na ausência de sintomas.

A lágrima natural do nosso olho é composta por três camadas: uma camada de mucina junto à córnea, uma camada aquosa e por fim uma fina camada oleosa. A camada de mucina funciona como uma esponja para reter a camada aquosa que contém proteinas que protegem o olho contra infecções: enzimas bactericidas e imunoglobulinas. A película oleosa evita a evaporação da lágrima e favorece a retenção do filme lacrimal, necessário para uma boa qualidade de visão e conforto ocular.

Os colírios lubrificantes atuam basicamente no componente aquoso. Entretanto, mais de 60% dos casos de olho seco decorrem de problemas na película oleosa, produzida por glândulas das pálpebras e liberada durante o piscamento.

Conheça alguns riscos do uso excessivo de lágrimas artificiais: 1) prejudica a película oleosa que evita a evaporação da lágrima; 2)retira componentes que protegem o olho contra infecções; 3) desenvolve “dependência” ao uso do lubrificante, que leva ao uso frequente do colírio; 4) pode mascarar outro problema ocular não diagnosticado; 5) o colírio lubrificante ao secar, adere e cria depósitos nos cílios; 6) turvação momentânea da visão ao usar o colírio; 7) Há relato de complicações graves relacionadas ao uso de lubrificantes, inclusive mortes e casos de perda da visão.

Veja também: o mistério dos colírios contaminados – – olho seco – – risco do uso excessivo de lágrimas artificiais

Colírio lubrificante é produto fronteira

Colírio lubrificante é produto fronteira segundo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANVISA considera que lágrimas artificiais e lubrificantes oculares são regularizados na categoria de produtos para saúde que não exigem prescrição médica, chamados produtos fronteira, e não estão na categoria de medicamentos.

Segundo a ANVISA estão incluídos nessa categoria as lágrimas artificiais, colírios indicados para olho seco e hidratação da superfície ocular, associados ou não ao uso de lentes de contato.

São também considerados produtos fronteira hidratantes corporais, cosméticos, perfumes e produtos de higiene corporal ou bucal. Além de não haver exigência de prescrição médica para venda de produtos fronteira, as exigências da ANVISA para autorização de novos produtos são menos rigorosas do que as exigências para liberação de medicamentos.

A exposição desses produtos nas farmácias encontra-se nas prateleiras externas e não atrás do balcão (em inglês, “over the counter”). Podem ser livremente escolhidos e comprados pelos clientes.

A mesmas regras adotadas pela ANVISA para as lágrimas artificiais são adotadas também pelo órgão de fiscalização FDA – Food and Drug Administration, nos Estados Unidos.

Olho seco

A primeira definição de olho seco foi publicada em 1995, em consenso sobre estudos clínicos patrocinados pela indústria: Olho seco é um distúrbio do filme lacrimal causada por deficiência lacrimal ou evaporação excessiva e está associada a desconforto ocular.

Em 2007, essa definição foi alterada para: Olho seco é uma doença multifatorial das lágrimas e da superfície ocular que resulta em sintomas e desconforto. (DEWS II – Dry eye workshop).

Em 2017, a definição foi alterada para: Olho seco é uma doença multifatorial da superfície ocular caracterizada pela perda da homeostasia do filme ocular, acompanhada por sintomas…”.

Anteriormente a 1995, o nome genérico “olho seco” não era usado para justificar algum desconforto relacionado a uma noite mal-dormida, excesso de trabalho, ar condicionado no carro ou no trabalho, clima seco, vento, etc. O paciente apresentava suas queixas e o oftalmologista investigava a presença de deficiência de produção de lágrima, higiene inadequada nas margens das pálpebras, presença de doenças sistêmicas ou oculares e apresentava orientação individualizada, sem classificar o paciente como portador da doença “olho seco”.

Em decorrência do marketing relacionado à nova “doença olho seco“, esse diagnóstico atualmente atinge até 50% dos pacientes segundo TFOS DEWS Epidemiology Report; 2017.

Em uma série de textos mostraremos que OLHO SECO é um dos melhores exemplos de medicalização da saúde, prescrição excessiva de colírios desnecessários, influência da indústria no receituário médico, riscos para a saúde pública e gastos desnecessários (“da boca do representante do laboratório para o receituário médico”).

Ao clicar nas expressões a seguir você será direcionado para textos curtos sobre temas relacionados.

Lágrima artificial é produto fronteira – – – Risco do uso excessivo de lágrimas artificiais – – -Lágrimas artificiais & Complicações – – –

Lentes de óculos com filtro azul

O preço das lentes de óculos com filtro azul é mais elevado do que o preço de lentes sem esse filtro. A recomendação para os clientes baseia-se na informação de que o uso de óculos com essas lentes proporciona maior conforto visual no trabalho com computador e celulares, reduz o cansaço, melhora o sono e protege os olhos. Esses benefícios não foram confirmados em estudos científicos.

As lentes de óculos com filtro azul são produzidas por indústrias como Zeiss, Rodenstock, Hoya, Essilor, entre outras. As informações que o cliente recebe nas óticas encontram-se nos folhetos de divulgação e no site dessas empresas. A venda dessas lentes gera maior lucro para as indústrias e para as óticas, assim como a venda das lentes com tratamento anti-reflexo.

Não há evidências científicas de que lentes de óculos com filtro azul beneficiam os pacientes. As lentes com filtro azul NÃO reduzem a fadiga no uso de computador, NÃO melhoram a qualidade da visão, NÃO melhoram o sono, NÃO protegem o olho ou a retina, quando comparadas às lentes mais baratas, sem esse filtro. Veja também vidros com filtro azul e promoção da saúde.

Uma revisão na literatura médica sobre lentes de óculos com filtro azul foi publicada em novembro de 2023. As lentes de óculos com filtro azul não apresentam nenhum benefício quando comparadas a lentes comuns, sem filtro e sem anti-reflexo (Blue-light filtering spectacle lenses for visual performance, sleep, and macular health in adults. Singh et al. Cochrane Database of Systematic Reviews 2023, Issue 8. Art. no.: CD013244. DOI: 10.1002/14651858.CD013244.pub2).

Espirro ao olhar para o sol

Espirro ao olhar para o sol ou sob efeito do brilho de uma luz intensa é um fenômeno que ocorre em uma a cada três pessoas. Esse reflexo apresenta característica hereditária e seu mecanismo não é bem conhecido. Muitas crianças e adultos, quando sentem vontade de espirrar, olham rapidamente para o sol para desencadear o espirro.

O espirro ao olhar para o sol não está relacionado a outras condições médica e já foi relatado há mais de 2.000 anos. Esse reflexo já causou preocupação militar relacionada ao risco de ocorrer em pilotos de aviões de guerra, durante o voo.

O fenômeno é conhecido como reflexo do espirro fótico (Em inglês: Photic sneeze reflex ou Hélio-ophthalmic outburst syndrome).

Existem poucos trabalhos sobre esse assunto, entretanto, olhar para o sol para espirrar pode provocar lesão solar na retina.

Estudos sobre retinopatia solar ou lesão na retina provocada por olhar diretamente para o sol, sem proteção, incluem alguns casos de lesão relacionadas ao reflexo do espirro fótico. A lesão característica é uma perda localizada de fotorreceptores da retina na região macular. Geralmente não há prejuízo da visão, mas as consequências tardias, a história natural da lesão e a própria incidência dessa lesão ainda não estão bem estudadas.

Os pais de crianças que olham para o sol para desencadear o espirro devem orientar seus filhos sobre os riscos de se olhar diretamente para o sol. Adultos que que apresentam esse reflexo, também devem estar atentos aos riscos, pouco estudados, do ato de olhar para o sol para desencadear o espirro. 

Referências

1) Scherbakova, I; Casper, DS; Bearelly, S; Odel, JG Acute Solar Retinopathy and the Autossomal Dominat Compelling Helio-Ophthalmic Outburst Syndrome. J. Neuro-Ophthalmol 2020; 40:243-245 /  2) Abdellah, MM; Mostafa, EM; Anber, MA; Saman, IS; Eldawla, ME Solar maculopathy: prognosis over one year follow up. BMC Ophthalmology, 19: 201 (2019) doi: 10.1186/s12886-019-1199-6 / 3) Schrock, K Looking at the sun can trigger a sneeze. Scientific America, 2008 / 4) Breitenbach, RA; Swisher, PK; Kim, MK; Patel, BS The photic sneeze reflex as a risk factor to combat pilots Military Medicine 2993; 158:806-809 / 5) Bruè, C.; Mariotti, C.; Franco, E; Fisher, Y; Guidotti, JM; Giovannini, A. Solar Retinopathy: A Multimodal Analysis Hindawi P.C. 1993; doi: 10.1155/2013/906920

Acuidade visual estenopeica e óculos estenopeicos

Teste da acuidade visual com buraco estenopeico

É um teste realizado em consultório oftalmológico, quando um paciente apresenta uma redução da visão e o médico deseja fazer a distinção entre uma baixa de visão relacionada a um erro refracional, que pode ser corrigido entes de óculos ou lentes de contato, de alguma outra doença.

Utiliza-se um cartão ou oclusor com pequeno orifício de 0, 5 a 2 mm. O teste é realizado em cada olho separadamente. O paciente procura ler letras à distância através do orifício, sem que esteja usando óculos ou lentes de contato, enquanto o outro olho permanece ocluído. Se a visão através do buraco estenopeico melhora, isto indica que a visão pode ser melhorada com óculos ou lentes de contato, caso contrário provavelmente a baixa de visão não pode ser corrigida desta maneira.

Este teste frequentemente é utilizado por crianças, em suas brincadeiras.

Óculos Estenopeicos

São óculos com lentes negras, nas quais existem diversos buracos de 0,5 a 2 mm ou uma fenda estreita, que permitem melhorar a visão de longe e de perto, em substituição às lentes de óculos ou lentes de contato. A melhora da visão decorre da redução da difração da luz e aumento da profundidade de foco, quando se enxerga através de uma pequena abertura.

A ideia do uso de lentes estenopeicas ou óculos com lentes estenopeicas para auxiliar pacientes com astigmatismo irregular como ceratocone, teve seus princípios óticos explicados por Valdés em 1623. Foi empregada clinicamente pelo oftalmologista francês Serre em 1857 e Fras Dinders em 1864.

A grande desvantagem do orifício estenopeico é a redução da quantidade de luz que entra no olho. A redução da luminosidade e a redução do campo de visão são incômodos que comprometem o seu uso constante. Duke-Elder, em seu tratado de oftalmologia (1970),  considera o uso de lentes estenopeicas para melhorar a visão de longe e de perto como um método obsoleto, de uso restrito.

Recentemente, a utilização das propriedades óticas do braço estenopeico ressurgiu na oftalmologia como uma das abordagens cirúrgicas para presbiopia e astigmatismo irregular (implante corneano estenopeico Kamra para presbiopia, implante de lente intraocular estenopeica  e implante de lente intraocular estenopeica para ceratocone).

Vidros com filtro azul para promoção da saúde

Entre os exemplos de exploração da credulidade pública relacionados à visão, está o uso da cor azul através de vidros com filtro azul para promoção da  saúde.

Terapia das Coresluz azul e cultivo de vegetais

O tratamento foi proposto  pelo General do exército americano James Pleasonton (1808-1894) que publicou  em 1876 o livro “A influência dos raios azuis da luz solar e da cor azul do céu no desenvolvimento da vida animal e vegetal“. Segundo Pleasonton, a luz azul seria benéfica para a saúde do ser humano, animais e plantas, sendo capaz de fortalecer a constituição de pessoas,  aumentar a longevidade e tornar os deficientes físicos mais saudáveis. Propôs galpões de cultivo com paredes e tetos com vidros azuis.

Em 1877, a revista Scientific American publicou uma série de três textos sob o título “The Blue Glass Deception“, nos quais demonstrou  a ineficácia do tratamento proposto por Pleasonton.

E.D. Babbitt (1828-1905) publicou em 1878 o livro “Os princípios da luz e da cor: O poder de cura através da cor“. Diversos adeptos do poder de cura através de luzes ou lentes coloridas, levaram ao desenvolvimento de práticas ligadas à foto-retinologia, terapia por cores ou cromoterapia. No passado utilizou-se máquinas que dirigiam luzes coloridas pulsáteis em direção aos olhos e que promoveriam a cura de erros refracionais, problemas de coordenação motora e outros problemas de saúde. Nos Estados Unidos a venda de máquinas que podem irradiar feixes de luzes coloridas com propósito curativo foi proibida por lei por ser considerada prática de charlatanismo.

Diferentes práticas ligadas à cromoterapia continuaram a ser oferecidas  ao longo do século XX e ainda hoje. Esta abordagem terapêutica existe há mais de 100 anos, mas sua eficácia nunca chegou a ser comprovada. Pertence ao grupo de tratamentos alternativos que não resistem ao escrutínio científico. 

A cegueira segundo Borges

Jorge Luis Borges, escritor e poeta Argentino, ficou cego depois de adulto, provavelmente em decorrência de glaucoma.

No texto La ceguera, relata sua experiência pessoal com a cegueira. Expõe o tema em uma palestra no ano de 1977, cujo vídeo pode-se acessar abaixo.

Borges descreve as percepções ligadas à sua cegueira, cegueira total em um olho e parcial no outro, que diz ser modesta por se tratar de experiência pessoal.

Consegue perceber o verde e o azul e mesmo o amarelo. Entretanto, não é capaz de perceber o vermelho, o negro ou o branco. Relata que sempre teve o costume de dormir em completa escuridão e que durante muitos anos o incomodou perder a percepção do negro. Define a sua cegueira como um mundo de neblina esverdeada ou azulada e vagamente luminosa, que refere como sendo o mundo do cego. O branco desaparece e se confunde com o cinza.

No poema El ciego (1972) escreve “O azul e o vermelho são agora uma névoa e duas vozes inúteis. O espelho que olho é algo cinza… Agora apenas perduram as formas amarelas“. Sua cegueira instalou-se em um lento crepúsculo que durou mais de meio século.

A deficiência de visão cromática associada ao glaucoma é variável entre os portadores da doença. Alguns, como Borges, descrevem perda mais acentuada no espectro do vermelho; outros relatam perda no espectro azul-amarelo. O oftalmologista Louis Émile Javal, que contribuiu ao avanço do conhecimento sobre o estrabismo e glaucoma, ficou completamente cego por glaucoma e relatou perda de visão cromática progressiva, inicialmente na cor vermelha, semelhante a Borges.

Veja abaixo o vídeo da sua palestra:

Referências

1) Jorge Luis Bores – La ceguera (Obras Completas – Vol. III  – 1975-1985, Emeceé Editores, p. 276-286); 2) Sánchez, B. “On his blindness”: Borges, Milton y la ceguera. (Universidad Nacional del Cuyo; Mendoza-Argentina); 3) García-Guerrero,J.; Valdez-Garcia,J.; González-Treviño, JL La Oftalmologia en la Obra poética de Jorge Luis Borges (I) Arch Soc. Esp. Oftalmol. 2009; 84:411-414; 4) García-Guerrero,J.; Valdez-Garcia,J.; González-Treviño, JL La Oftalmologia en la Obra poética de Jorge Luis Borges (II) Arch Soc. Esp. Oftalmol. 2009; 84:481-482; 5) García-Guerrero,J.; Valdez-Garcia,J.; Villarreal-Marroquín, N.;González-Treviño, JL La Oftalmologia en la Obra poética de Jorge Luis Borges (III) Arch Soc. Esp. Oftalmol. 2009; 84:537-540; 6) Zabaluev, V.N.John Milton’s Blindness as a Dource of “Paradise Lost” (Moscow State University)